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Você tem medo de quê? Uma análise sobre as fobias.

  • CARLOS MONTE
  • 4 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Você já deve ter se perguntado por que algumas fobias são tão comuns, enquanto outras situações muito mais perigosas, como acidentes de trânsito, parecem causar menos medo. Por exemplo, o medo de cobras e aranhas é muito mais frequente, mesmo que estatisticamente o trânsito seja mais letal. Esse fenômeno é explicado por uma teoria chamada Teoria do Aprendizado Preparado, proposta por Martin Seligman na década de 1970. Essa teoria sugere que o cérebro humano evoluiu para ser mais sensível a certos estímulos ameaçadores, justamente aqueles que colocavam nossos ancestrais em risco, garantindo sua sobrevivência.


O apoio disso é que indivíduos, especialmente primatas, assimilavam mais rapidamente o medo de elementos nocivos. Esse instinto de sobrevivência foi transmitido ao longo do desenvolvimento evolutivo, gerando um sistema de aprendizado de fundo genético que ajusta melhor nossa sensibilidade a algumas fobias e não a outras, mesmo em contextos modernos onde os riscos são diferentes. Pesquisas posteriores mostraram que essa sensibilidade pode ser observada em outros seres vivos, como macacos, e até em bebês, sugerindo que parte de nossos medos é inata.


Além disso, existe o conceito de módulo de medo: circuitos cerebrais especializados que processam estímulos ameaçadores de forma rápida e automática, funcionando como um alerta precoce. Esse mecanismo permite que o organismo reaja antes mesmo de haver um processamento consciente do perigo, garantindo uma vantagem evolutiva crucial.


É claro que estamos falando aqui de temas relacionados a diferentes abordagens da psicologia, como o behaviorismo e a psicologia evolucionista. Nesse contexto, chama atenção a citação de um dos grandes estudiosos, Vaughan Bell, que afirma:


“Uma dose saudável de aracnofobia pode ter salvado a pele de seus ancestrais, fazendo com que esse traço fosse transmitido a você.”


Tudo isso reforça a ideia de que fomos moldados pela evolução para temer situações, objetos e seres que representavam perigo para nossa espécie.


Em análise, a noção de que alguns medos são mais facilmente aprendidos que outros é geralmente aceita, mas provar que isso se deve apenas a processos evolutivos é mais complexo. Muitas fobias só surgem na adolescência ou na idade adulta, e é possível que alguns medos sejam também moldados por crenças culturais, observação de comportamentos de outras pessoas ou alertas parentais. Não estamos aqui tratando de traumas específicos, mas de tendências gerais do comportamento humano.


E aqui entra a psicanálise. Freud, ao estudar as fobias, identificava que os medos não se restringem a perigos concretos, mas frequentemente expressam conflitos internos, desejos reprimidos ou experiências emocionais significativas. Portanto, mesmo com predisposições biológicas evidentes, a psicanálise mostra que os medos humanos têm múltiplas camadas: biológica, emocional e simbólica.


Compreender a integração entre evolução, aprendizado preparado, módulo de medo e psicanálise permite uma abordagem mais completa e compassiva, especialmente para pacientes com transtorno borderline, que apresentam sensibilidade aumentada a estímulos ameaçadores e vivenciam emoções de forma intensa.


Eu, como psicóloga e psicanalista, tenho particular atenção a esse tipo de relato nas consultas que recebo. Observar como os medos se manifestam, tanto os enraizados em nossa biologia quanto aqueles moldados por experiências e relações afetivas, é fundamental para oferecer um cuidado individualizado. Meu compromisso é auxiliar cada paciente a reconhecer, compreender e desenvolver recursos internos para lidar com seus medos, promovendo maior equilíbrio emocional e bem-estar.


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Evelyn Gomes Barbosa (CRP 06/143.553) é psicóloga e psicanalista formada pela UNESP e pelo Instituto de Psicanálise de Bauru, com atuação no CAISM/UNIFESP e no Amborder - referência nacional em borderline.



Agende uma consulta, ela terá o prazer em conduzir uma caminhada para que você possa compreender suas emoções, enfrentar suas dores e reencontrar o equilíbrio.


 
 
 

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