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Síndrome do pânico, trabalho e humanidade: uma reflexão necessária

  • CARLOS MONTE
  • 15 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Hoje, lendo uma notícia recente do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, fui tomada por muitas reflexões. O caso falava de um trabalhador que, após mais de 11 anos atuando em uma mineradora, foi dispensado do emprego. Na época, ele estava em tratamento para síndrome do pânico e alegou que sua dispensa teria sido discriminatória, justamente por estar em condição de fragilidade psíquica. O Tribunal, ao analisar os fatos, entendeu que a dispensa foi discriminatória, pois a doença, além de grave, carrega consigo um estigma social que muitas vezes gera preconceito no ambiente de trabalho.


Não pretendo aqui discutir a decisão judicial em si, mas esse caso serve como um pano de fundo para pensarmos sobre a experiência humana de quem vive com síndrome do pânico.


A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por crises súbitas de medo intenso, sensação de morte iminente, taquicardia, tremores, suor frio, dificuldade para respirar, entre outros sintomas físicos e emocionais que podem durar minutos, mas deixam marcas profundas. Para quem vive com o transtorno, ir ao trabalho, sair de casa ou mesmo realizar tarefas simples pode se tornar um grande desafio.


Na clínica, escutamos muito sobre o medo de ser visto como “fraco”, “incapaz” ou “problemático”. O medo do julgamento externo se soma ao medo interno que já paralisa a pessoa em seu sofrimento. E isso cria um ciclo: a vergonha de sentir medo piora ainda mais a experiência do medo.


O que me faz pensar é como ainda somos, como sociedade, pouco preparados para lidar com doenças mentais. Falamos muito sobre empatia, mas na prática ainda há preconceito e afastamento diante de quem sofre de ansiedade grave, depressão, pânico ou outros transtornos psíquicos. O resultado é o isolamento de quem já está fragilizado.


Não há solução simples, mas há caminhos. Um deles é o olhar atento e humano ao outro. Outro é a escuta profissional, que acolhe sem julgamento, permitindo que a pessoa encontre seus recursos internos para lidar com o medo, compreendendo de onde ele vem, por que vem, e o que está dizendo sobre sua história.


Questões como a síndrome do pânico têm profundas implicações sociais, familiares e laborais. Mas, acima de tudo, implicam sofrimento psíquico real, que não pode ser ignorado ou minimizado. Olhar para essas questões com humanidade, e não apenas com protocolos ou estatísticas, pode fazer diferença na vida de alguém.


Se você convive com sintomas de pânico ou conhece alguém que viva essa realidade, busque apoio. O tratamento envolve psicoterapia, acompanhamento médico quando necessário, e sobretudo a compreensão de que o pânico não define quem a pessoa é. Ele fala de dores internas que podem, sim, ser elaboradas e cuidadas em um espaço de escuta.



 
 
 

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