Entre o “ego”, o “id” e o “superego”: entendendo as forças que vivem dentro de nós.
- CARLOS MONTE
- 21 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Por Evelyn Gomes Barbosa
Existe um conceito fundamental em psicologia, mas que nem sempre é tão claro para todo mundo. É a divisão que Freud fez da nossa mente em três partes: o id, o ego e o superego. Se esses nomes ainda soam distantes pra você, vem comigo que eu vou te explicar de um jeito simples e humano.
O id (ou isso, nas traduções mais recentes do alemão) é a parte mais primitiva de nós. É como uma criança que quer tudo agora — tem fome, quer comer; sente raiva, quer reagir; sente desejo, quer satisfazer-se. Ele é impulsivo, movido por instintos que garantem nossa sobrevivência, como a fome, a sede e o impulso sexual. Por isso, embora às vezes pareça o “vilão” da história, o id também é a fonte de nossa energia vital — é o que nos faz querer viver, buscar, conquistar.
O ego (ou eu) é aquele que tenta colocar ordem nessa bagunça. Ele é o mediador, o que busca um equilíbrio entre os desejos do id e as exigências do mundo real. Freud dizia que o ego se guia pelo princípio da realidade — ou seja, ele entende que nem tudo pode ser feito de qualquer jeito, na hora em que queremos. É ele quem aprende a esperar, a negociar, a controlar impulsos para que possamos conviver em sociedade. Se o id é o cavalo selvagem, o ego é o cavaleiro que tenta conduzir sua força sem deixá-lo fugir do controle.
E, por fim, temos o superego (ou supereu), que é a instância que faz nossos juízos morais. Ele nasce das vozes que ouvimos — dos pais, da escola, da cultura, das crenças — e que, com o tempo, passam a ecoar dentro de nós. É o nosso senso de certo e errado, o “não faça isso”, o “deveria ser diferente”. Quando está muito forte, o superego pode nos tornar duros demais, inflexíveis, exigentes não só conosco, mas também com os outros. É quando nos tornamos moralistas, cobrando perfeição de um mundo que é, por natureza, imperfeito.
Essas três forças — id, ego e superego — vivem em nós o tempo todo, num diálogo silencioso. Às vezes o id fala mais alto, às vezes o superego domina, e o ego tenta, como pode, manter a harmonia. É dessa dança que nasce o que chamamos de personalidade.
Curiosamente, as versões em português mais recentes das obras de Freud adotaram os termos “isso”, “eu” e “supereu”, numa tentativa de se aproximar mais da linguagem original alemã. Mas os nomes latinos — id, ego e superego — continuam sendo os mais conhecidos e permanecem muito presentes no nosso vocabulário e nas conversas sobre psicanálise.
Agora, é importante lembrar que essa tripartição da mente pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Em alguns transtornos de personalidade, como o transtorno borderline, essa divisão sofre variações muito acentuadas. No borderline, por exemplo, o ego é como um fio tênue tentando segurar duas forças gigantescas — o id, com sua tempestade de impulsos, e o superego, com sua voz crítica e implacável. O trabalho da psicanálise é justamente fortalecer esse fio, ajudando-o a se tornar uma ponte, capaz de integrar emoções, impulsos e julgamentos de maneira mais saudável.
Quer entender melhor como isso acontece? Venha conhecer o nosso trabalho clínico — aqui, explicamos com cuidado e acolhimento como funciona essa dinâmica psíquica em pessoas com transtorno de personalidade borderline.
Entender essa tríade é, de certo modo, entender um pouco mais sobre nós mesmos. Porque, no fundo, todos os dias, cada um de nós tenta, à sua maneira, ser o cavaleiro que doma o cavalo — sem nunca apagar a força que o faz correr.
Evelyn Gomes Barbosa (CRP 06/143.553) é psicóloga e psicanalista formada pela UNESP e pelo Instituto de Psicanálise de Bauru, com atuação no CAISM/UNIFESP e no Amborder - referência nacional em borderline. www.psicoevelynbarbosa.com.br
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