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Acolher, Respeitar e Proteger: Quando o Cuidado com a Saúde Mental Precisa Ir Além da Clínica

28 de jan.
3 min de leitura

Vivemos em uma sociedade que, aos poucos, tem aprendido a falar mais abertamente sobre saúde mental, sofrimento emocional e adoecimento psíquico. Ainda assim, muitas pessoas que atravessam momentos de fragilidade seguem enfrentando incompreensão, julgamentos silenciosos e, por vezes, atitudes que aprofundam ainda mais a dor que já carregam.


Recentemente, uma decisão da Justiça do Trabalho reconheceu como discriminatória a demissão de um trabalhador logo após seu retorno de um longo período de afastamento por motivo de doença grave. O caso reforça algo que, na clínica, se observa diariamente: pessoas em processo de recuperação física ou emocional estão, muitas vezes, em um estado de especial vulnerabilidade.


Não se trata apenas de retomar uma rotina. Trata-se de reconstruir a confiança no próprio corpo, na própria mente, na própria capacidade de seguir em frente. Quando alguém retorna ao trabalho depois de um adoecimento importante, não volta “igual”. Volta com marcas, medos, inseguranças, expectativas e, muitas vezes, com o desejo silencioso de ser compreendido. Volta tentando se adaptar novamente ao ritmo da vida, enquanto ainda aprende a conviver com limites, cuidados e transformações internas.


Nesse contexto, atitudes que desconsideram essa fragilidade podem causar impactos profundos. Uma demissão, uma pressão excessiva, uma cobrança desproporcional ou a ausência de empatia não afetam apenas a vida profissional. Elas atravessam a autoestima, o sentimento de pertencimento, a identidade e o valor que a pessoa atribui a si mesma.


Na Psicologia e na Psicanálise, compreendemos que o adoecimento — seja físico ou psíquico — não acontece isoladamente. Ele dialoga com a história de vida, com as relações, com o ambiente em que o sujeito está inserido. Por isso, o processo de recuperação também precisa ser atravessado por cuidado, respeito e escuta.


Quando uma pessoa em sofrimento é tratada apenas como um número, um custo ou um problema a ser eliminado, algo essencial se perde: o reconhecimento da sua humanidade.

A decisão judicial mencionada reforça um princípio fundamental: a dignidade da pessoa humana não pode ser relativizada. Ela precisa estar presente nas relações de trabalho, nas instituições, nas famílias e, sobretudo, na forma como lidamos com quem está fragilizado.

Do ponto de vista emocional, sentir-se descartável, rejeitado ou injustiçado após um período de adoecimento pode desencadear quadros de ansiedade, depressão, insegurança crônica, sensação de inutilidade e até o agravamento de sintomas já existentes. Muitas vezes, o sofrimento que chega à clínica nasce exatamente dessas experiências de desamparo.


Por isso, falar sobre saúde mental também é falar sobre responsabilidade coletiva. É reconhecer que cada gesto, cada decisão e cada postura podem contribuir para fortalecer alguém, ou para adoecê-lo ainda mais. Na clínica, o trabalho é justamente oferecer um espaço onde a pessoa possa elaborar essas vivências, ressignificar dores, reconstruir sua confiança e reencontrar sentido em sua trajetória. Um espaço de escuta, sem julgamentos, onde o sofrimento é legitimado e acolhido.


Cuidar da saúde mental é, antes de tudo, reconhecer o outro como sujeito. É respeitar seus tempos, seus limites, suas cicatrizes e suas possibilidades. É compreender que ninguém escolhe adoecer, mas todos merecem cuidado ao se reerguer.


Que decisões como essa sirvam não apenas como referência jurídica, mas como convite à reflexão: sobre empatia, ética, humanidade e compromisso com o bem-estar do outro.

Porque, no fim, uma sociedade mais saudável começa quando aprendemos a cuidar melhor uns dos outros, especialmente nos momentos em que alguém mais precisa.


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Evelyn Gomes Barbosa (CRP 06/143.553) é psicóloga e psicanalista formada pela UNESP e pelo Instituto de Psicanálise de Bauru, com atuação no CAISM/UNIFESP e no Amborder - referência nacional em borderline.



Agende uma consulta, ela terá o prazer em conduzir uma caminhada para que você possa compreender suas emoções, enfrentar suas dores e reencontrar o equilíbrio.





 
 
 

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ADEMAR RIBEIRO AFONSO
09 de fev.
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Me encantei com sua exposição no artigo ACOLHER, RESPEITAR E PROTEGER:

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